Assim como cidades vizinhas, Siderópolis foi colonizada pelos italianos que vieram para o Brasil em busca de novas oportunidades e terra fértil. Hoje, o município comemora 122 anos desde que os imigrantes chegaram para desenvolver a cidade, que fica entre a serra e o litoral catarinense. Inicialmente o local onde se formou a colônia foi denominado de Nova Belluno, por conta da semelhança geográfica com a província italiana de Belluno, no início da década de 1890. Somente após 1940, a cidade mudou o nome para Siderópolis, em função da instalação da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), que foi fundamental para o desenvolvimento do município.

Siderópolis começou sua história quando cerca de 100 famílias que vieram das províncias italianas de Veneza, Treviso, Ferrara e Bergamo se instalaram e começaram a cultivar a terra. Uma dessas famílias era a de Angélica Feltrin Cesa. Seus pais vieram em um dos navios que trouxeram os europeus e constituíram família no Sul do país. Angélica nasceu em Siderópolis e nunca morou fora do município. Hoje, prestes a completar 99 anos de idade, ainda carrega um forte sotaque italiano e possui uma memória invejável. Ela lembra exatamente como era a colônia de Nova Belluno.

“Tinha pouca casa ao redor. Era muito diferente do que é hoje. A igreja não era no mesmo lugar, o rio passava pelo Centro da cidade. Trabalhávamos na roça e produzíamos nosso próprio sustento. Muitas mudanças aconteceram, mas, para mim, vivíamos melhor naquela época. É um tempo bom que não volta mais. Gosto daqui porque sempre fiquei aqui”, conta Angélica.

Ela é muito religiosa. Vai às missas e ainda assiste a celebrações pela TV. Segundo ela, a memória preservada é fruto da leitura, apesar da pouca escolaridade. “Não estudei muito porque tinha que trabalhar. Mas eu lia muito os jornais e isso ajuda a preservar a memória”.
Festa somente no próximo ano

Este ano a Administração não irá realizar a festa em comemoração à colonização. De acordo com o prefeito, a situação financeira não permitiu que o evento fosse realizado, mas promete uma grande festa para o próximo ano, com o resgate da tradição. “Este é meu primeiro ano de administração e resolvemos não fazer festa por conta da situação da Prefeitura, para não gastar, mas, ano que vem, terá uma grande festa”, finaliza o prefeito.

Para não deixar a data passar em branco, uma sessão especial na Câmara de Vereadores, realizada na última segunda-feira, homenageou os escritores e historiadores que publicaram livros sobre a história do município.
Gemellaggio com Forno Di Zoldo

Em 1995, foi firmado um pacto de amizade, o chamado Gemellaggio, entre Siderópolis e a cidade italiana Forno Di Zoldo. O acordo foi realizado para um intercâmbio cultural entre as duas cidades com objetivos culturais e de desenvolvimento humano, mas está adormecido. “Foi se enfraquecendo e hoje está adormecido esse pacto. Mas, no próximo ano, teremos uma comitiva que irá até a Itália para fortalecer novamente os laços”, adianta Cesa.

Clicatribuna