Os cardeais enclausurados na Capela Sistina se aproximam nesta quarta-feira da escolha do novo papa. A partir de agora, serão quatro votações ao dia – duas pela manhã e duas à tarde. A escolha ainda nesta quarta-feira não está descartada.

A evolução da organização de forças e de apoios entre os religiosos vai ditar a extensão desta escolha, algo que é mantido sob sigilo. No século XX, nenhum conclave demorou mais de quatro dias para decidir o nome do papa. Na terça-feira, em pouco mais de duas horas de votação, nenhum cardeal recebeu apoio suficiente – mínimo de 77 dos 115 votantes.

Em frente à Basílica de São Pedro, mais de 50 mil pessoas acompanharam, sob frio intenso e chuva – com queda de granizo, inclusive – o resultado da votação. Ao cair da noite em Roma, às 19h42min (15h42min no Brasil), os quatro telões instalados no largo da praça exibiram a chaminé fumegante da capela. Por mais que fosse previsto que não haveria consenso já no primeiro escrutínio, o público reagiu com surpresa ao primeiro indício da fumaça preta.

A dispersão foi imediata. A multidão se dirigiu, ao mesmo tempo, para as três principais saídas da praça, provocando pequenos focos de tumulto. Dentro do Vaticano, os cardeais encerravam o dia se recolhendo à Casa de Santa Marta, protegida com bloqueador de celular.

O Colégio Cardinalício começou o dia de ontem com uma celebração especial na Basílica de São Pedro. A missa Pro Eligendo Pontifice é o primeiro ritual no dia do conclave. O cardeal decano, Angelo Sodano, pediu em sua homilia a unidade dos católicos e fez uma convocação aos cardeais.

— Eu os exorto a se comportarem de maneira digna, com toda humildade, mansidão e paciência, suportando-se reciprocamente com amor, tentando conservar a unidade do espírito por meio do vínculo da paz — afirmou Sodano.

A missa da manhã foi acompanhada por brasileiros. Alina Ferreira, que reside perto do Vaticano, surgiu enrolada na bandeira do Brasil, que precisou tirar ao ingressar na basílica.

— Venho aqui todos os dias desde que Bento XVI renunciou. É um momento histórico para a Igreja — disse.

Visitando o filho na Itália, o engenheiro Júlio Bitencourt, de Porto Alegre, confia que um conterrâneo possa ser eleito:

— A escola de formação de padres no Estado é muito forte. Não seria absurdo imaginar um papa brasileiro. E gaúcho.

Italiano precisaria de mais 20 votos

Angelo Scola, o cardeal mais influente entre os 28 italianos, ingressou na Capela Sistina com as maiores chances de sair papa. O nome dele continuava ontem o mais forte e ganhou ainda mais força com o início do conclave, segundo a imprensa italiana. Descrito como “ratzingeriano”, um fiel seguidor da linha de Joseph Ratzinger, Scola precisaria de mais 15 ou 20 votos para se eleger.

Um levantamento realizado pelo portal YouTrend, reproduzido pelos principais jornais italianos, coloca o cardeal italiano Angelo Scola bem à frente dos demais cotados, com 34% de chances de assumir o cargo de sumo pontífice.

Outros nomes fortes são Timothy Dolan (10,6%), arcebispo de Nova York, Marc Ouellet (9,3%), do Canadá, e dom Odilo Scherer (8,7%), de São Paulo, e o arcebispo de Boston, Sean O’Malley (7,9%). A pesquisa foi realizada com vaticanistas italianos e internacionais de 15 grandes veículos de comunicação.

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