Os quase 1,2 bilhão de católicos do mundo terão de esperar um pouco mais para saber o nome do novo líder da igreja. A primeira fumaça desta quarta-feira, segundo dia de Conclave, saiu preta da chaminé situada à direita da basílica de São Pedro, anunciando que nenhum cardeal obteve os votos necessários na votação que elege o sucessor de Bento XVI.

Os 115 cardeais ainda irão participar de outras duas votações, que ocorrerão à tarde. Sem um favorito claro, analistas citam vários nomes, como o italiano Angelo Scola, o brasileiro Odilo Scherer, o canadense Marc Ouellet e o americano Timothy Dolan. Mas também apontam que se o conclave levar mais tempo do que o estimado, existe a possibilidade de que algum nome que não figurou entre os favoritos acabe como o eleito, lembrando o ditado de Roma: “Quem entra Papa no conclave, sai cardeal”.

A evolução da organização de forças e de apoios entre os religiosos vai ditar a extensão desta escolha, algo que é mantido sob sigilo. No século XX, nenhum conclave demorou mais de quatro dias para decidir o nome do papa. Na terça-feira, em pouco mais de duas horas de votação, nenhum cardeal recebeu apoio suficiente – mínimo de 77 dos 115 votantes.

Italiano precisaria de mais 20 votos

Angelo Scola, o cardeal mais influente entre os 28 italianos, ingressou na Capela Sistina com as maiores chances de sair papa. O nome dele continuava na terça-feira o mais forte e ganhou ainda mais força com o início do conclave, segundo a imprensa italiana. Descrito como “ratzingeriano”, um fiel seguidor da linha de Joseph Ratzinger, Scola precisaria de mais 15 ou 20 votos para se eleger.

Um levantamento realizado pelo portal YouTrend, reproduzido pelos principais jornais italianos, coloca o cardeal italiano Angelo Scola bem à frente dos demais cotados, com 34% de chances de assumir o cargo de sumo pontífice.

Outros nomes fortes são Timothy Dolan (10,6%), arcebispo de Nova York, Marc Ouellet (9,3%), do Canadá, e dom Odilo Scherer (8,7%), de São Paulo, e o arcebispo de Boston, Sean O’Malley (7,9%). A pesquisa foi realizada com vaticanistas italianos e internacionais de 15 grandes veículos de comunicação.