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O momento tão esperado pelos pescadores do litoral catarinense chegou. A safra da tainha começa neste domingo (1º) e a expectativa é alta para este ano. Nos ranchos do litoral de Santa Catarina, pescadores e donos de botes trabalham duro para consertar as redes. No Sul da Ilha de Santa Catarina, uma das principais comunidades pesqueiras de Florianópolis, os preparativos já começaram.

A partir de agora está autorizada a pesca de canoa de arrasto de praia. Já a pesca de emalhe anilhado, com bote a motor, será liberada apenas no dia 15 de maio. A pesca de cerco está autorizada entre os dias 1º de junho e 31 de julho.

A maioria dos pescadores da Armação do Pântano do Sul utiliza seus barcos durante os meses do verão para passeios à Ilha do Campeche. Agora, com a chegada do frio, é a vez de se dedicar ao ofício que é passado de geração em geração.

“A expectativa do pescador é que o ano que vai surgindo seja o melhor possível. A gente já tá com a entrada de uma frente fria, com vento Sul. O mar vai altear bastante e, com isso, o pescador está esperando a tainha chegar”, disse o pescador Claudinei José Lopes.

Desde meados de abril, pescadores de todo litoral catarinense se preparam para manter a tradição da pesca da tainha, fazendo a manutenção das redes, dos barcos e demais equipamentos.

No caso do pescador Adir Artur Arsênio, a tradição “é toda em família, quatro irmãos e dois sobrinhos”. Para eles está aberta a temporada de trabalho duro. “A gente prepara a rede. Quando chega metade de abril, a gente ajeita a rede para no dia 15 de maio, quando abre a pesca, ir pescar”, disse Adir.

“A gente vai lá pro Sul, passa uma semana, duas semanas mais ou menos. O gelo também tem que aguentar. Sem gelo a gente não trabalha, porque o peixe tem que vir gelado. É um trabalho bem complicadinho”, contou Oswaldir Serafim Arsênio, um dos irmãos de Adir que também é pescador.

Até lá, muito trabalho e espera pela virada no tempo. Adir falou que “quanto mais vento Sul, para nós [pescadores] melhor. Quanto mais frio, mais peixe vem e isso não é só para a tainha, é para a corvina e tudo”.

A portaria que apresenta a relação final das embarcações de pesca habilitadas e não habilitadas foi publicada no dia 18 de abril. Das 130 embarcações que poderiam se habilitar para o anilhado, somente 96 foram homologadas.

“A gente teve algumas surpresas no edital. Em especial, relacionadas aos prazos de inscrição. Tivemos menos de sete dias úteis para formalizar as inscrições e acabamos enfrentando algumas dificuldades para cumprir todas as exigências. Somado a isso ainda temos a impossibilidade de apresentarmos recursos de inscrições indeferidas, o que prejudica de maneira absurda o cumprimento de todos os requisitos e a obtenção de direito ao credenciamento e a autorização complementar para a pesca da tainha”, explicou o advogado Marcos Manoel Domingos.

Mudanças nas regras sanitárias e na infraestrutura
Com a melhora nos índices da Covid-19, foram anunciadas algumas mudanças nas regras sanitárias da pesca da tainha.

Segundo o superintendente de Pesca, Maricultura e Agricultura da Capital, Adriano Weickert, as medidas serão as mesmas do ano passado, “exceto o uso das máscaras e da vacina contra a H1N1 dentro dos ranchos de pesca. A vacina continua sendo feita, mas no posto de saúde”.

“O restante continua a mesma situação do ano passado, que é 50 pessoas no máximo para puxada de rede, uso de gel, a higiene e a fiscalização diária da Superintendência da Pesca junto com a Vigilância Sanitária”, acrescentou Weickert.

Uma das novidades desta safra está relacionada à infraestrutura. Conforme o superintendente, os pescadores poderão contar com 26 banheiros químicos e 36 ranchos provisórios. “Também vai ter iluminação pública colocada em alguns ranchos”, afirmou.