Ao contrário do que se vê pelo Brasil, as manifestações em Santa Catarina ocorrem de forma pacífica e com o apoio da Polícia Militar na orientação do trânsito e segurança dos cidadãos. Ontem não foi diferente em Tubarão. Um grupo menor de pessoas em relação ao ato desta quarta-feira à noite se reuniu na frente do Centro Municipal de Cultura – Museu Willy Zumblick, no Centro e iniciou uma caminhada pela rua Tubalcain Faraco até a Unisul, no bairro Dehon e depois retornou ao ponto de partida.

Para o estudante Felipe Nunes Angulski, o que faz na rua não é moda, é revolta. “Ao longo dos tempos vimos muitas manifestações sem rumo, hoje não. Nós temos algo concreto que, infelizmente, é a realidade do Brasil. Ir à rua é mostrar a revolta da população para tentar mudar o país”, almeja. Paulo Sergio, de 16 anos, foi para a rua no primeiro protesto e retornou ontem porque acredita que a manifestação é um modo de chamar a atenção. “É necessário ação porque as pessoas devem se manifestar para mudar o que está errado. Temos que acreditar que o povo pode e deve mudar”, declara Paulo.

O movimento pretende realizar outra manifestação em Tubarão, neste domingo, com a possibilidade de bloqueio da BR-101 por alguns minutos. Não haverá protesto se chover.

Deputados se manifestam sobre os protestos
As manifestações que ocorrem nas ruas e praças das cidades do país, inclusive em Santa Catarina, foi tema de debates intensos na assembleia legislativa do estado ontem. O deputado Valmir Comin (PP) revela perplexidade com a característica do movimento, sem pauta e sem líderes, segundo ele. “Assusta, porque você luta contra o desconhecido”, avalia o parlamentar. Nilson Gonçalves (PSDB) citou um artigo do jornal espanhol “El Pais”, que definiu o movimento como esquizofrênico e paradoxal, uma vez que o Brasil é visto lá fora “como um país de sucesso”.
O deputado Ismael dos Santos (PSD) parabenizou os jovens da capital do estado pela manifestação pacífica e ordeira até então.

Outros municípios da região aderem ao movimento
Amanhã mais de 300 pessoas devem se reunir em São Ludgero para se engajar em uma manifestação. Segundo uma das organizadoras do movimento, Débora Bruning, a concentração será a partir das às 9h30min, na entrada principal da cidade. “Convocamos as pessoas para se encontrar no posto Warmeling, bem na entrada da cidade, depois vamos percorrer as principais vias do município”, destaca. O grande grupo vai parar por dez minutos sobre a ponte central.
A população de Garopaba também começa a se organizar por meio das redes sociais, para realizar um protesto por melhorias no transporte público. Na página criada no facebook, com o nome “Manifestação por melhorias no transporte público de Garopaba e defesa dos nossos direitos”, há mais informações sobre o ato, previsto para ocorrer na próxima terça-feira, a partir das 17h30min. A concentração será em frente à câmara de vereadores.

OAB acompanha protestos
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Santa Catarina designou um grupo de advogados, ligados às áreas de direitos humanos e segurança pública, para o acompanhamento das manifestações que ocorreram e devem continuar em Florianópolis e outras cidades do estado ainda nesta semana. “O objetivo é garantirmos aos cidadãos o direito às liberdades de associação e de expressão, previsto pela constituição. Pedimos respeito do estado e dos manifestantes para que tudo transcorra de forma pacífica e tranquila”, disse o presidente da OAB/SC, Tullo Cavallazzi Filho. Já, o presidente da subseção da OAB em Tubarão, Clésio Moraes, afirma que o protesto na Cidade Azul é legítimo, mas não há nenhuma recomendação para que os advogados participem. “O movimento é aberto e qualquer pessoa pode participar. Nós, da OAB, deixamos livre a participação dos advogados, mas não designamos ninguém para acompanhar”, informa.

Imbituba realizou protesto ontem
A manifestação ocorreu ontem com partida da Praça Henrique Lage, ao lado da igreja matriz. Logo em seguida, os manifestantes prosseguiram até o Supermercado Althoff, na rua Irineu Bornhausen e as ruas Nereu Ramos e Ernani Cotrin até o Fórum. As manifestações foram pacíficas e sem vandalismo.