Policiais civis da região reforçaram o movimento que busca valorização salarial, melhores condições de trabalho e reposição no efetivo na tarde de ontem. A categoria aprovou o indicativo de greve durante assembleia realizada na sede da Associação Empresarial de Criciúma (Acic).

O Governo tem 15 dias para aceitar a proposta. O evento contou com cerca de 100 policiais (agentes e escrivães) das regiões de Araranguá, Criciúma e Tubarão. Aposentados da corporação também estiveram presentes e mostraram indignação com o descaso no órgão de segurança.

“Conheço policiais aposentados que passam fome. Que não tem dinheiro nem para comprar remédio”, contou um dos policiais durante a manifestação. Após a assembleia, o grupo fez uma passeata percorrendo a Avenida Centenário até o Parque das Nações, onde de mãos dadas, encerraram a primeira parte do protesto, que deve ser intensificado nos próximos dias.

Conforme matéria do Portal Clicatribuna, o prazo de sinalização do Governo seria anteontem, o que não houve, resultando na deliberação do movimento. Uma série de ações protestantes está marcada para ocorrer, caso o Estado não acorda com as reivindicações da classe. Desde ontem, os policiais civis já trajam a camisa denunciando o “descaso do Governo”.

Outra preocupação da categoria é no número baixo de interessados em ingressar na corporação e na desistência dos que passam no concurso público, pelas condições pouco atrativas de trabalho e remuneração.

População não
deverá ser afetada

A categoria não pretende afetar a população, mas quer desestabilizar serviços que afetam diretamente o Governo, como o setor de trânsito, na emissão de carteiras de motoristas e outros serviços burocráticos. “A greve não será para ficar em casa. Não queremos afetar a população carente e nem acumular serviço. Somos vítimas do Governo há muito tempo e cansamos”, protestou outro agente.

Será realizado um trabalho de divulgação sobre o movimento, com faixas, outdoor e panfletos. Está marcado para, durante a greve uma série de operações e manifestações. Entre elas, as operações: “Cumpra-se a lei (intensificação de abordagens e operações em geral), Operação Padrão (detalhes ainda a ser definidos) e a CQC (presença em eventos onde estarão autoridades políticas, com policiais vestindo as camisas e portando faixas).

Os policiais civis também ameaçam fazer denúncias em relação às instalações dos prédios policiais, viaturas e sobre as condições em que ficam os presos.

Atendimento,
só em crimes contra a vida

As delegacias especializadas podem paralisar com o serviço, somente estando em atividade unidades policiais emergências, no caso de Criciúma, a Central de Plantão Policial (CPP) que pode atuar com 30% do efetivo. Os procedimentos das prisões em flagrante feitas pelas Polícia Militar e atendimento em crimes graves, como homicídios, serão os procedimentos, até então, decididos pela categoria de que não serão afetados.

A assembleia ocorreu simultaneamente abrangendo as delegacias regionais de Florianópolis, Joinville, Lages, Blumenau, Joaçaba e Chapecó, com a utilização de videoconferência. A categoria está há 13 anos sem reposição no vencimento e com o efetivo semelhante ao de 1984.

“A Polícia Civil está encolhendo e envelhecendo. É um barco à deriva”, caracterizou o diretor de divulgação do Sindicato dos Policiais Civis de Santa Catarina (Sinpol), o agente Arilson Nazário, lotado na 1ª Delegacia de Criciúma.

Em seis anos,
só 326 policiais

Segundo o dado apresentado pelo Sinpol, desde 2007 a corporação perdeu 891 policiais.

Um total de 1.217 ingressou neste mesmo período, resultando no acréscimo de somente 326 policiais, com o aumento significativo da criminalidade nestes seis anos.

Em todo estado, o quadro de efetivo não chega a quatro mil policiais, sendo que o necessário seria o dobro.