Chefe do tráfico no Sul da Ilha e investigado por ordenar ataques na Grande Florianópolis é preso na tarde desta sexta-feira pela Polícia Militar, em Florianópolis. O integrante do Primeiro Grupo Catarinense (PGC), foragido da Justiça, tinha acabado de sair da casa do seu gerente no tráfico de drogas e estava a caminho da residência do pai quando seis policiais do 4º Batalhão de Polícia Militar, em dois carros descaracterizados, o abordaram.

Renato José Mafiolete, 25 anos, conseguiu fugir em seu Golf preto. Como as ruas do bairro onde nasceu e cresceu, a Tapera, não tem rotas de fuga adequadas, ele acabou tentando entrar numa casa. Foi preso por volta de 17h30min na porta de uma garagem depois de quatro horas de campana da PM, que cumpriu mandado de prisão temporária contra o traficante.

A ordem estava anexada ao inquérito da Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic) que investiga os ataques do PGC. Mafiolete é investigado por ordenar ataques no Sul da Ilha, mas deverá responder pelos 114 atentados registrados neste ano, como todos os outros indiciados.

A polícia confirma também que ele é disciplina da facção na região, aquele que executa na rua as ordens que saem da cadeia.

Suspeito passou três anos no presídio de São Pedro

No pátio do 4º BPM, Mafiolete se contradisse. Uma hora falou que estava indo comprar um lanche. Depois contou que estava chegando da lanchonete. Disse que não lembrava o que tinha comido.

Escoltado pelo Pelotão de Patrulhamento Tático (PPT) do 4º BPM, Mafiolete chegou algemado na Deic às 18h45min. No pescoço, usava uma corrente com o desenho de uma pirâmide no deserto e um coqueiro ao lado.

— É 18 quilates — disse. E confirmou que o relógio também é de ouro maciço. Disse que comprou com o dinheiro do próprio trabalho, uma empresa de limpeza de caixas d’água. Mafiolete negou ser traficante de drogas e de armas e falou que sua prisão é um “blefe”.

O suspeito negou envolvimento com o PGC, mas confirmou que ficou preso três anos no pavilhão 4 da penitenciária de São Pedro de Alcântara, cumprindo pena por assalto. É neste raio que ficam os líderes e outros integrantes da facção, que também ocupa o pavilhão três.

Mafiolete disse que nunca ouviu falar de Sérgio de Souza, o Neném da Costeira, mas a polícia afirma que o líder do tráfico na Costeira autorizou Mafiolete a comandar o tráfico de cocaína na Tapera com a condição de que comprasse a droga diretamente dele, Neném.

A maconha vem de outro fornecedor. Segundo a polícia, Mafiolete vende drogas em parte do Campeche e nas praias da Armação e do Pântano do Sul.

— Essa prisão faz parte do esforço em controlar os ataques. Foi um golpe importante no tráfico — observou o comandante do 4º BPM, tenente-coronel Araújo Gomes.

DIÁRIO CATARINENSE