É no nono andar do prédio do Ministério da Educação (MEC) que o ministro Aloizio Mercadante despacha, mas ultimamente tem sido visto com frequência no Palácio do Planalto, em reuniões com a presidente Dilma Rousseff. É figura constante também nas viagens presidenciais. Sua projeção junto ao staff de Dilma é recente. No começo do governo, Mercadante ocupava o ministério da Ciência e Tecnologia, mas à frente da pasta colocou em pé o programa Ciência sem Fronteiras, hoje uma das joias do governo. É Mercadante quem vem costurando os apoios à reeleição de Dilma, sendo responsável direto pelo retorno do PR e do PTB ao governo.

Embora seja a articulação política que o seduza, Mercante mantém um estilo professoral quando o assunto é educação. Municiado de dados — brinca que a presidente gosta de números com nove casas depois da vírgula —, mantém ao lado de seu gabinete um totem com um programa com todas as informações do ministério. A situação de uma creche no Interior do país está ao alcance de um clique no mouse.

Apesar da desenvoltura, é a discrição que tem feito o ministro galgar degraus no coração da presidente. Hoje, comenta-se, que é o único com coragem de discordar de Dilma, mas jamais em público. É essa lealdade que o projeta como o futuro ministro da Casa Civil na próxima reforma. Mas, até lá, toca o ministério com a ajuda do gaúcho José Henrique Paim, o secretário-executivo, a quem não cansa de elogiar.

Antes de embarcar com Dilma para um périplo por Portugal e Uruguai, recebeu Zero Hora para uma conversa que durou uma hora. Era um dia tenso de mais uma das coletivas sobre dados do Enem. A fórmula para acalmar o ministro, contudo, a secretária do MEC já descobriu — todos os dias, no final da tarde, ela serve chá de maracujá com gergelim.