Exportadores de carne suína e governo do Estado se reúnem hoje pela manhã na sede da Federação das Indústrias de SC (Fiesc) para discutir a abertura de mercado para o Japão, maior importador mundial da carne e que no próximo dia 27 irá oficializar o comércio exclusivo com SC.

A expectativa é que as exportações comecem daqui a seis meses, prazo para que empresários catarineses e representantes japoneses cheguem a um acordo sobre corte, peso, quantidade do produto e preço.

As negociações devem começar no dia 28, em solo asiático, um dia depois de a presidente Dilma Rousseff oficializar as exportações de carne suína brasileira com o país. Empresários dos oito frigoríficos catarinenses habilitados para comercializar o produto ao país farão a primeira rodada comercial para conhecer as necessidades dos compradores e iniciarem as discussões sobre as vendas.

O presidente do Sindicato das Indústrias da Carne e Derivados de SC, Clever Ávila, acredita que o novo mercado resulte em uma exportação de 300 mil toneladas ao ano de suínos in natura para o Japão, responsável pelo incremento de, no mínimo, US$ 1 bilhão para o setor, no mesmo período.

Isto seria mais do que dobrar o número de exportações que SC realizou no ano passado, quando o Estado comercializou para o exterior 180 mil toneladas de carne suína. Essas exportações renderam a SC um faturamento de US$ 492 milhões.
Mas a produção da carne não deve aumentar em SC até o próximo ano, segundo Ávila, uma vez que o setor perdeu exportações importantes para a Rússia e a Ucrânia.

— Em 2012, muitos produtores independentes pararam de produzir. Como a criação de suínos tem um ciclo longo, qualquer aumento de produção só vai se refletir em 2014 — projeta Ávila.

Exportações em 2014 podem chegar a 200 mil toneladas

O presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos, Losivânio de Lorenzi, estima que as exportações para o Japão cheguem a 200 mil toneladas por ano em 2014.

— O diferencial do Japão se dá pelo preço pago pela carne, que é nobre e por isso tem um valor agregado. O produto fica 20% a 30% mais caro que o normal do mercado, e isto vai trazer mais dólares para SC — explica.

O presidente da Fiesc, Glauco Côrte, complementa que a abertura do mercado com o Japão deve surtir efeito para a expansão do setor, mas que os produtores precisam buscar soluções para tornar o produto competitivo na relação com outros países que exportam para os japoneses.

>>> Setor lucrativo

O Japão é o maior importador mundial de carne suína in natura, totalizando 1,2 milhão de toneladas e US$ 5,1 bilhões em 2012.

Ano passado, os principais fornecedores de carne suína in natura para o Japão foram Estados Unidos (US$ 2,1 bilhões), União Europeia (US$ 1,4 bilhão) e Canadá (US$ 1,1 bilhão).

SC lidera as exportações de carne suína no Brasil. O Estado vendeu, no ano passado, 180 mil toneladas no valor de US$ 492 milhões.

O país para o qual SC mais exportou foi a Rússia, totalizando 53,1 mil toneladas.

O segundo país em número de exportações foi a Ucrânia, com 39,6 mil toneladas ao ano. Desde março, os ucranianos barraram o mercado com o Brasil por alegação de problemas sanitários. Em abril, uma comitiva veio a SC para fiscalizar os frigoríficos da região e, na semana passada, iriam oficializar a retomada das exportação. Porém, o documento ainda não foi assinado.

O Brasil, quarto maior exportador de carne suína in natura do mundo, vendeu ano passado para 63 mercados, totalizando 581 mil toneladas do produto, o equivalente a US$ 1,5 bilhão.

Fonte: Associação Catarinense de Criadores de Suínos e governo do Estado.