Um casal de letos, que participou do 71º Congresso das Igrejas Batistas Letos do Brasil, está em Orleans neste fim de semana. O pastor da Igreja Batista (Āgenskalna Baptistu Draudze) da cidade de Riga, na Letônia, Edgars Masržis, de 57 anos, e a esposa Kristīne Maže, de 51, estiveram no Centro de Documentação Histórica Plínio Benício (Cedohi), anexo ao Museu ao Ar Livre Princesa Isabel, conhecendo como aconteceu a imigração dos seus conterrâneos para Santa Catarina.

A visita foi intermediada pelo descendente leto Samuel Slengmann, morador de Criciúma, e que também esteve no Congresso ocorrido no último fim de semana em Varpa, distrito do município de Tupão, Estado de São Paulo. O motivo, segundo Samuel, é que esse Congresso acontecerá na localidade de Rio Novo, em Orleans, no próximo ano. “Eles, estando aqui, ajudam a levar informações para a Letônia e colaboram na organização do evento”, explica.

Edgars e Kristīne estão hospedados em Imbituba, na casa do também descendente leto Heber Coutinho Elbert. Ele está servindo de guia e tradutor ao casal, que se comunica em inglês. Conforme Edgars, que comenta com auxílio do tradutor, é impressionante a história das pessoas que vieram para o Brasil. Por um lado, é incrível como as pessoas vieram de tão longe para estar aqui. E, por outro, como foi difícil começar uma vida nova aqui. Sem nem uma casa pronta. Recomeçar do zero”, diz.

No entendimento de Edgars, não deveria ser muito econômico (barato) viajar da Letônia ou da Rússia para o Brasil, e que os documentos, que estão disponíveis no Museu, são a prova de que tudo estava bem controlado. Outra observação que o pastor fez foi de que é legal ver que os letos que vieram para cá foram morar juntos e compraram terras proximas um dos outros.

Sobre a estada no Brasil, Edgars afirma que está gostando, que o povo é muito amigável. “Nos deram bastante comida”, diz sorrindo, revelando que passou a tomar até mais café, coisa que não faz muito na Letônia.

Guerra na Ucrânia
Segundo Edgars, na época da imigração em 1892, alguns letos vieram para o Brasil por causa da Rússia. Eles eram chamados para servir o exército e, para não ir, migraram para o Brasil.

Hoje, com a guerra na Ucrânia, ele afirma que a situação está tensa. E que muitos acreditam que se a Ucrânia perder, a Letônia pode ser a próxima a ser invadida. Segundo o pastor, apesar de a Letônia fazer parte da OTAN, o que garante uma proteção, há o medo de que em caso de uma invasão não haja tempo. “Devemos estar preparados para a mudança. E, na pior situação, mais letos virão ao Brasil novamente”, declarou, com auxílio do tradutor.