A esperança de voltar com investimentos na área do carvão mineral é aguardada por muitos como um impulso para o desenvolvimento da região sul do estado. A bandeira foi levantada pelo deputado estadual Joares Ponticelli (PP), quando assumiu a presidência da assembleia legislativa.

“Isso é uma grande oportunidade para todos, não somente à região carbonífera, em Treviso, mas para o estado. Só na construção da usina serão mais de cinco mil empregos diretos”, calcula.

Segundo matéria do Jornal Notisul, o governo federal marcou para o dia 29 do próximo mês o leilão de novas energias A-5. Esta semana, a empresa de pesquisa energética (EPE) homologou o projeto da usina termelétrica Sul-Catarinense S/A (Usitesc) para poder participar do leilão.

“É um investimento de R$ 2 bilhões. É a primeira vez que o estado consegue a inscrição em energia nova. O minério é, sem dúvida, uma grande fonte de desenvolvimento”, afirma Ponticelli.
Segundo o deputado, outro fator importante é melhorar a oferta e, por isso, houve uma conversa com o secretário da fazenda estadual, Antônio Gavazzoni, para que Santa Catarina siga o modelo de incentivo tributário especial do Rio Grande do Sul.

“O deputado Valdir Comim (PP) e eu conversamos com o Gavazzoni para melhorar a política de incentivo, com um regime tributário especial para o setor do carvão. É preciso atrair e, para isso, tem que incentivar”, destaca Ponticelli. O primeiro leilão de energia para abastecer o mercado em 2018 já foi encerrado e teve 68 empreendimentos inscritos.

Leilões são vistos como a retomada da atividade mineradora na região

Após 130 anos de exploração em solo catarinense, o carvão mineral saiu do cenário nacional como fonte de energia em 2009, por causa de acordos internacionais para a redução de emissões de gases poluentes. Agora, busca-se a reinclusão do minério nos leilões de compra de energia elétrica no país.

Apesar de não ser uma fonte renovável de energia, o carvão é considerado seguro por não depender de condições climáticas. Hoje, a participação do minério na matriz energética brasileira é pequena: 1,4%.
Ainda assim, o carvão é responsável pelo equivalente a 35% da eletricidade que chega às casas e indústrias catarinenses. No mundo, esse índice chega a 38%. Em Santa Catarina, a produção do minério gera 4,5 mil empregos diretos e outros 35 mil indiretos.

Região é um dos maiores destaques do país

As reservas de carvão em Santa Catarina alcançam mais de três bilhões de toneladas, distribuídas em dois mil quilômetros quadrados no subsolo de 15 municípios. O maior destaque é para a região de Criciúma. O valor representa 10% das reservas do país. Mas a cadeia produtiva gera renda e emprego por todo o caminho feito pelo carvão.

Hoje, o principal destino é a Tractebel Energia, em Capivari de Baixo. A empresa compra 95% do carvão produzido no estado. Uma média de 240 mil toneladas por mês para abastecer as três usinas do Complexo Termelétrico Jorge Lacerda. Juntas, têm capacidade de geração de 857 MW.
O carvão é transportado até a usina pelos trens da Ferrovia Tereza Cristina (FTC), com sede em Tubarão. Com isso, deixam de circular pela BR-101 cerca de 300 caminhões por dia em um trecho de mais de 100 quilômetros.