Os 1.026 trabalhadores do canteiro de obras da ponte Anita Garibaldi – que faz parte das obras da duplicação da BR-101 -, em Laguna, devem voltar às atividades ainda hoje. A resposta irá depender da assembleia que será realizada às 7h de hoje para colocar em votação a proposta feita pelo consórcio Camargo Corrêa/M. Martins/Construbase, ontem, durante a audiência no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), em Florianópolis.
Na proposta apresentada pela empresa está o pagamento de 30% de abono salarial, tíquete alimentação e benefícios nos alimentos, como mudanças no cardápio. “Este abono será pago em uma única vez, já no quinto dia útil de abril. No que se refere à hora extra, continuam com adicional de 50%, mas o consórcio não quis conceder mais nada”, explica o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Construção Pesada de Santa Catarina, Arnaldo Camargo de Freitas.
Entretanto, de acordo com Arnaldo, os benefícios somente serão concedidos se os trabalhadores voltarem às atividades hoje. “Além disso, ficou estabelecido que, caso eles não voltem, o sindicato terá que pagar a multa de R$ 10 mil por dia, já que a paralisação ocorreu fora da data-base da categoria”, ressalta.
O presidente do sindicato avalia a paralisação como positiva e ressalta que seria um risco para a classe não aceitar a proposta. “A proposta será levada para assembleia amanhã (hoje) e a expectativa é de que haja aprovação, já que foi uma vitória o que foi conseguido, ainda mais fora da data-base da categoria. O correto é recuar agora para garantir um novo passo no futuro”, avalia.
Entre as reivindicações estavam melhores salários, com reajuste de mais 9% – totalizando 25% – e melhores condições de trabalho, bem como plano de saúde, pagamento integral das horas extras e direito à visita aos familiares, já que a maioria dos trabalhadores é proveniente de outros Estados brasileiros. A empresa havia ajuizado dissídio coletivo no TRT na última sexta-feira, para que a greve fosse decretada como ilegal. O tribunal, então, intimou as partes e marcou uma audiência de conciliação para ontem, que durou cerca de três horas. A paralisação iniciou na última quarta-feira.

Tatiana Dornelles: Diário do Sul