Após a divulgação da informação de que a comitiva da presidente Dilma Rousseff teria esbanjado luxo para participar da missa de inauguração do pontificado de Francisco — Papa que faz questão de frisar seu pensamento adverso à suntuosidade —, o governo brasileiro veio a público para se explicar. Segundo reportagem publicada hoje pelo jornal Folha de S.Paulo, o governo brasileiro teria alugado 52 quartos de um hotel luxuoso e 17 veículos em Roma.

Segundo o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, ouvido pela Agência Brasil, Dilma e seus assessores não se hospedaram na residência oficial da representação brasileira, como costumavam fazer presidentes anteriores, porque não há embaixador brasileiro em Roma neste momento.

Conforme a Folha de S.Paulo, quatro ministros, assessores mais próximos e seguranças se hospedaram no hotel Westin Excelsior, na Via Veneto, um dos endereços mais sofisticados de Roma, num total previsto de 30 quartos. Um deles foi transformado em escritório para a Presidência da República. Os outros 22 quartos, para pessoal de apoio, seriam em local próximo. A diária da suíte presidencial custa cerca de R$ 7,7 mil, enquanto o quarto mais barato fica por R$ 910.

A frota alugada incluiria sete veículos sedan com motorista, um carro blindado de luxo, quatro vans executivas com capacidade para 15 pessoas cada, um micro-ônibus e um veículo destinado aos seguranças. Teriam sido alugados, também, um caminhão-baú e dois furgões.

Em resposta à reportagem, a ministra Helena Chagas, da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, afirmou à Agência Brasil que a comitiva da presidenta, no Hotel Westin Excelsior, na Via Veneto, em Roma, ocupou 25 quartos e não 52, como foi publicado.

Segundo Patriota, a embaixada do Brasil na Itália aguarda a chegada do novo embaixador, Ricardo Neiva Tavares.

— A Embaixada do Brasil está desocupada no momento, está entre dois embaixadores (José Viegas Filho, substituído por Ricardo Neiva Tavares). Por isso, a presidenta está hospedada em um hotel — explicou Patriota.

Dilma está desde domingo à tarde em Roma. No domingo, a presidente aproveitou para visitar duas igrejas históricas. Em sua estadia, a presidente também se reuniu com o ex-ministro de Lula José Graziano da Silva, diretor-geral da FAO (organização da ONU para agricultura e alimentação) e com o presidente da Itália, Giorgio Napolitano, que está em fim de mandato.

Na terça-feira, Dilma participou da missa de entronização do papa Francisco — que desde adotou um estilo mais simples que o antecessor, dispensando adornos e até o tradicional anel de ouro — substituído por um de prata folhado em dourado. Francisco tem frisado que quer uma Igreja pobre e que pense nos pobres e, ontem, na missa, pediu atenção dos 31 chefes de Estado que acompanhavam a cerimônia que cuidem dos pobres, da natureza e que transformem seu poder em serviço à população.

Nesta quarta-feira, Dilma teve um encontro privado de cerca de 30 minutos com o Pontífice no Palácio Apostólico e embarcou logo em seguida de volta para o Brasil.

>
ZERO HORA, COM AGÊNCIAS