A derrota para o Metropolitano e a má campanha no primeiro turno do Campeonato Catarinense tiveram consequências para a comissão técnica do Criciúma. À noite, o técnico Paulo Comelli, o auxiliar técnico Bruno Comelli, o gerente de futebol Rodrigo Pastana e o preparador físico Márcio Corrêa foram demitidos do clube. Segundo Pastana, a decisão foi do irmão e sócio do presidente do clube Antenor Angeloni, que ameaçou sair da sociedade se a comissão técnica não fosse dissolvida.
— Foi vontade do seu Arnaldo Angeloni, e ele pediu a minha saída, caso contrário ele sairia do GA (Gestão de Ativos).

O ex-dirigente do Tigre afirmou que está triste com a decisão e aproveitou para criticar a forma como as pessoas que comandam o futebol tratam os profissionais. Para Pastana a palavra planejamento está sendo banalizada no futebol, mas entende que como os resultados não vieram é natural a decisão.
— No futebol uma palavra que está sendo banalizada é planejamento. Eu fico triste porque o trabalho estava sendo bem feito, mas infelizmente os resultados não vieram. O meu sentimento é de dever cumprido. Conquistamos o acesso à Série A e estávamos passando por uma reformulação — desabafou o ex-dirigente do clube.

Pouco antes da decisão, o gerente que levou o Tigre à Série A, tinha confirmado para uma rádio de Criciúma a contratação de um volante e um atacante, que devem chegar nesta segunda-feira ao clube.
Na última sexta-feira, dia 1º de março, Rodrigo Pastana completou um ano na função. Assim que chegou ao Criciúma, o técnico Márcio Goiano havia pedido demissão dias antes. Seu primeiro movimento foi a contratação de atletas. Foram cerca de cinco, a maioria em atividade no futebol português. Depois, afirmaria que desembarcaram no Heriberto Hülse para ‘melhorar a qualidade de treino’. O Tigre terminaria de fora das semifinais do Campeonato Catarinense daquele ano e eliminado da Copa do Brasil após goleada por 5 a 1 imposta pelo Atlético-PR.

Com pouco mais de um mês para o início da Série B, foi ao interior paulista para contratar Toninho Cecílio como treinador. Voltou a Criciúma com o técnico Paulo Comelli e carta branca do presidente Antenor Angeloni para formar um elenco para conquistar o acesso à elite do futebol nacional. Angeloni tinha Pastana como ‘o gerentão’ que iria colocar o Tigre nos trilhos e dar fim à rotatividade que havia na função, com um diretor de futebol para intermédio. Assim o foi até o final do ano.

Pastana tinha responsabilidade maior com a saída do diretor de futebol Waldeci Rampinelli, função que está vaga desde o término da Série B. O gerente deu início à formação do plantel, com apoio de Paulo Comelli, com quem negociou a renovação de contrato. Porém, os resultados no Campeonato Catarinense deste ano fizeram com que a pressão sobre ele ficasse maior. Ainda mais com os pedidos públicos do técnico Paulo Comelli pela contratação de mais jogadores, alegando que o plantel que tinha à disposição era pequeno.

Os questionamentos que haviam sobre o paulista voltaram com força maior que no início de seu trabalho. A derrota de virada, por 2 a 1, para o Metropolitano culminou com a sua demissão e de outros profissionais sob sua alçada.