Médicos anunciaram no domingo que um bebê foi curado da infecção pelo vírus HIV pela primeira vez. A notícia, divulgada pelo jornal The New York Times pode levar ao desenvolvimento de tratamentos mais agressivos contra o vírus em recém-nascidos, causando grande redução no número de crianças convivendo com a AIDS.

A criança, nascida na área rural do Estado americano do Mississipi, foi tratada com drogas antirretrovirais depois de 30 horas de seu nascimento, procedimento que não é normalmente adotado. Se estudos futuros comprovarem que o método funciona com outros bebês, certamente mudará o tratamento de recém-nascidos infectados em todo o mundo. A ONU estima que há mais de 3 milhões de crianças vivendo com HIV no mundo.

Caso a notícia seja confirmada, o bebê do Mississipi seria apenas o segundo caso documentado de uma cura no mundo. O primeiro caso de alguém curado do HIV foi Timothy Brown, conhecido como o “paciente de Berlim”, homem de meia idade com leucemia que recebeu um transplante de medula de um doador geneticamente resistente ao vírus.

A mãe da criança chegou a um hospital na área rural em 2010, já em trabalho de parto, e deu à luz prematuramente. Ela não havia feito exames pré-natal e não sabia que era portadora do HIV. Quando um exame mostrou que a mãe poderia estar infectada, o hospital transferiu o bebê para o Centro Médico da Universidade do Mississipi, onde chegou com cerca de 30 horas de vida.

Em entrevista ao New York Times, a Hannah B. Gay, médica professora de pediatria, conta que pediu duas amostras de sangue com uma hora de intervalo para testar a presença o HIV no RNA e no DNA do bebê. Os testes detectaram 20 mil cópias do vírus por milímetro de sangue, índice baixo para bebês.

Hannah medicou a criança com três drogas usadas para tratamento, não para a profilaxia, sem esperar os exames que confirmariam a infecção. Os níveis do vírus diminuíram rapidamente com o tratamento, e ficaram indetectáveis quando o bebê completou um mês de vida. Assim foi até que a criança completasse 18 meses, quando a mãe parou de levá-la ao hospital.

Quando a mãe e a criança voltaram, cinco meses depois, Hannah esperava encontrar alta carga viral no sangue do bebê, mas os testes vieram negativos. Suspeitando de erro nos exames, ela pediu mais testes.

— Para minha surpresa, todos voltaram negativos — disse.

Depois de mais pesquisa, uma quantidade quase insignificante de material genético viral foi encontrado, mas sem vírus que pudesse se replicar, mesmo que dormente nos chamados “reservatórios” do corpo.

Há casos de bebês que eliminaram o vírus, mesmo sem tratamento. A transmissão do HIV de mãe para filho é rara — especialistas dizem que, nos Estados Unidos, o número de contaminações não chega a 200 ao ano, pois as mães infectadas são geralmente tratadas durante a gravidez.

ZERO HORA